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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

back when my thoughts were entirely intact

Sabe quando os dias começam a passar apressados demais e você tem a impressão de que não tem mais tempo para respirar?Pois é...
O que se pode fazer em dias que nem esses,exceto parar,respirar e se certificar de que está tudo bem,que é só uma fase e as coisas vão voltar ao normal?
Eu nunca acreditei em destino ou fiz promessas.Nunca acreditei em amor à primeira vista ou em pessoas ou situações perfeitas.Embora de vez em quando seja necessário acreditar em algo para atravessar o dia.Nem que seja você mesmo,na força de vontade que você não sabia que tinha.

Às vezes eu me surpreendo comigo mesma.Com a maneira que eu lido com as coisas,com a minha total falta de controle diante de certos sentimentos e de vez em quando,com o meu total controle sobre eles.Eu tenho medo de falar sobre os meus fantasmas em voz alta e eles se tornarem realidade.Para alguém que nunca acreditou em muita coisa,por um tempo eu achei que era uma supertição boba,mas agora eu vejo que é completamente humano.Talvez seja o que acontece com a maioria das pessoas,elas se trancam.E isso me levou a imaginar como seria se todos nós falássemos sobre os nossos medos em voz alta,para chegar a conclusão de que não haveriam mais segredos.E qual a graça de viver sem imaginar,certo?

Eu,por outro lado,acho que me escondo demais da realidade.Aparentando felicidade,quando a minha cabeça é uma bagunça de sentimentos e idéias.Aparentando tristeza pelo mero prazer de ser dramática.
Talvez eu tenha medo de que um dia,as pessoas me enxerguem de verdade e vejam que eu sou mais frágil e vunerável do que eu demonstro.As aparências enganam.
Eu só imagino,que quando acontecer,que quando alguém desvendar todos os meus medos,vai ser um daqueles momentos únicos em que você parece ter perdido o fôlego,e finalmente,eu vou poder juntar o passado e o futuro dentro de mim.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

flames.

Eu estava pensando sobre o dia em que eu tirei o líquor da coluna.Naquele dia,repensando a gravidade dos fatos,eu estava bem doente.O que era óbvio,pela perda de peso e as minhas fraquezas.Também acho que o procedimento usado pra tirar o líquor da coluna é o mesmo ultilizado para quando você vai doar a sua medula para alguém.E embora,eu fale que não lembre do dia em que eu fiz o exame,eu tenho sim algumas lembranças concretas.Não só aquelas recordações nubladas que você tem de certas coisas,mas uma memória de verdade.Minha mãe chorando e observando tudo meio de longe,o mundo nos olhos.Eu deitada na cama enquando os médicos conversavam comigo e eu brincava distraída com o colar da minha madrinha.Da dorzinha chata daquela agulha enorme nas minhas costas e de não ter derramado uma única lágrima durante todo o processo.
Pensando nisso,eu cheguei a conclusão de que a gente não tem muita idéia das coisas quando é criança.Ou melhor ainda,a gente é mais otimista.
Quer dizer,eu sabia que estava doente,mas ainda assim as coisas pareciam bem.E esse sentimento todo me parece genuíno,como se fosse algo em que eu realmente acreditasse,ao invés de uma mentira que eu tinha inventado para mim mesma,ou um sorriso forçado pra certificar para minha mãe que tudo ía se resolver da maneira certa.

A verdade é que eu acho que naquela época eu era bem mais forte do que eu sou hoje.Que eu podia carregar a minha família inteira nas costas e ainda não sentir o peso disso.Que eu não tinha medo de agulhas ou de descer um rampa de patins.Que eu não costumava medir as palavras e sempre pensava em voz alta o que não devia.Que apesar das complicações,eu não tinha medo de ser feliz,de levar um não,de tomar a decisão errada.
Talvez eu pense demais hoje em dia.

Talvez parar de pensar por uns tempos me fizesse um bem danado...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

all you need is love

"Amor é tudo o que você precisa."
Eis o trecho de música que perdura anos.Simples,sincero e direto.E eu,entro outros milhões,sou obrigada a concordar.
De fato,você não precisa de muito quando se tem amor.Óbvio,dinheiro e saúde também não matam ninguém,porque como diria a minha avó,amor não enche barriga.

Outro dia estava indo de carro para a faculdade e vejo um outdoor em plena Av.Engenheiro Santana Júnior,"Fulano de tal,enternas saudades.De sua esposa,filhos e netos".Eu lembro de ter me perguntado na hora,de que adianta tudo isso,toda essa demonstração de afeto,se a pessoa não está aqui para ver o quanto foi amada?Ou pior ainda:e se essa pessoa nunca soube que foi amada enquanto viva?No final das contas,calei minha boca e os meus pensamentos e deixei a dor e o outdoor dos outros em paz.Mas a idéia de alguém que nunca se sentiu amado me acompanhou o dia todo.E cada vez que eu pensava no assunto,mais difícil era de acreditar que existisse tal coisa.

Talvez por eu ter recebido amor em dobro durante a minha vida inteira e nem sempre ter dado o devido valor a isso,eu ache essa coisa toda de alguém que nunca foi/sentiu-se amado um tanto impossível.
Quando eu paro pra pensar na minha infância,ou até nesses últimos anos,eu lembro dos fatos tristes e marcantes é claro,mas por mais incrível que isso possa parecer,minhas lembranças felizes,de algum jeito,conseguem superar aquelas que eu não faço tanta questão assim de lembrar.
Os abraços da minha mãe,ou as nossas caminhadas pela D.Luís rindo sem parar.Do dia na casa da Carol em que a gente colocou sabão no chão pra escorregar.Das inúmeras tardes que eu passei com a Gabi,sem fazer nada,apenas esperando que as horas se arrastassem e aparecesse um programa legal pra nos tirar do tédio,e o fato de a gente nunca ter tido uma única briga.Ou dos filmes da Disney que a gente assistia juntas-e nunca cansávamos!Dos meus anos de 7 de Setembro e todas as aulas gazeadas e manhãs jogadas fora.Do 3º ano conturbado e de toda a pressão pré-vestibular.Do dia-a-dia com os meus amigos da faculdade,que são basicamente a prova viva de que eu consigo sim fazer amizades sozinha e que se mostraram tão importantes e tão amados em um espaço de tempo tão pequeno.Ou até aqueles momentos qua a gente nunca viveu,mas imagina.

E quando eu preciso de provas,basta olhar para os dois porta-retratos no criado mudo.Eu e meus pais no primeiro.Eu devia ter uns dois ou três anos,no Icaraí,meu pai segurando de um lado e minha mãe de outro,enquanto eu pulava as ondas.É quase possível escutar os meus gritos de alegria quando eu vejo o sorriso orgulhoso dos pais mais corujas do mundo.A segunda,foi tirada aqui nesse mesmo quarto.Eu tinha por volta de oito anos,uns dentes faltando e um curativo no pé.E eu lembro como se fosse hoje desse dia!Nossas carinhas bochechudas ocupam praticamente a tela inteira,nem dava pra ver o curativo no pé,ou as barbies jogadas na cama.Só o nosso sorriso banguelo em perfeita sintonia,as bochechas coladas,os olhos cheios de lágrima de tanto rir e uma sinceridade e uma pureza tão grande,que a sinceridade e o amor quase podiam ser tocados.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

♥


It was you who picked
the pieces up
When I was a broken soul
And then glued me
back together
Returned to me what

others stole
.

sábado, 30 de agosto de 2008

tipo mágica

Minha mãe sempre reclama da bagunça do meu quarto,da minha mania de deixar os compromissos pra depois e enlouquecer quando não tenho tempo o suficiente para fazer o que eu quero.Pense o que quiser,mas eu tenho uma filosofia de que as coisas tem de ser imperfeitas,às vezes.Caóticas.
Eu gosto da minha falta de organização para ser sincera.De correr contra o tempo,de um lado para o outro,tentando dar conta de todos os meus compromisos.De me virar em cem e chegar em casa exausta no final do dia...eu sempre tive essa tendência à abarcar o mundo com as pernas e reclamar dos meus milhares de afazeres.

Eu só acho que não vale a pena passar uma vida inteira em frente a uma televisão.Talvez eu tenha me trancado muito,durante muito tempo com medo de me machucar,de me decepcionar com as pessoas.E o que eu aprendi depois de todo esse tempo foi a quantidade de oportunidades que eu perdi.
A pessoas sempre vão cometer erros uma vez ou outra,te ferir com palavras ou com atitudes,mas isso também é parte de ser humano.Perdoar sempre,sempre é preciso,com aqueles poucos e bons dignos de sua amizade e o seu respeito.
Outra coisa que eu aprendi é que você sempre vai ter de enfrentar um ou outro obstáculo,ou talvez muitos,mas o mundo não para de girar para que você censerte os seus erros ou emende o seu coração.E a maior lição que a vida me ensinou,é que ela sempre continua.

E não se preocupe em entender as pessoas ou entender a si mesmo,porque como diria Clarice,viver ultrapassa qualquer entendimento.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

unspoken words

Fora dos trilhos.
Eu sempre fui a filha perfeita,a garota inteligente e apaixonada por livros,com grande potencial.Acho que em algum lugar no meio do caminho eu acabei me perdendo.Perdendo o meu rumo quando todo mundo parecia se achar...Talvez seja só parte dessa fase de amadurecimento,talvez eu tenha cansado ou talvez o encantamento simplesmente acabou e eu parei de me importar com certas coisas,perdido certos valores.

Eu lembro que quando eu era criança,era incapaz de responder uma ofensa e que o meu excesso de timidez me impedia até de fazer meu pedido no Mac Donalds.E eu lembro de me esconder atrás da minha mãe também e de sempre voltar de festas dormindo no colo do meu pai(ou fingindo dormir,porque eu adorava ser carregada nos braços).
Eu lembro da fase do medo de escada rolante e das viagens para Campina Grande.Da minha fase ingenua,sempre constrangida quando falavam em sexo perto de mim.E da fase do primeiro beijo,das matanças de aula,quando as coisas começaram a desandar.Da primeira taça de vinho branco,do meu antigo sonho de ter uma despedida de solteira em Las Vegas.Minha fase baladeira e minha fase mais quietinha...Tanta coisa até chegar ao que eu sou hoje,que minhas memórias do ano passado parecem distantes demais agora...

Eu lembro de nunca ignorar as pessoas também,de medir as palavras,de nunca agir por impulso.De ser paciente e compreensiva e de nunca passar por cima de ninguém e sempre valorizar o sentimento dos outros.E essa pessoa,essa Patrícia do passado é tão diferente dessa aqui que chega a assustar.
Hoje em dia eu me pergunto como eu fui capaz de fazer certas coisas por puro capricho.Por fazer valer minha vontade a qualquer custo,não importa quantas pessoas saiam machucadas.Por tomar decisões e assumir responsabilidades que eu não tenho a mínima condição de arcar por impulso e por insegurança,querendo preencher um vazio qualquer.Por ser cruel com quem não merece principalmente.Por ter perdido muito dos meus princípios ao longo desses anos.
Para o bem ou para o mal,eu me arrependo de certas coisas,de certas palavras ditas.Mas se um dia eu chegar a ter de volta qualquer coisa que me lembre daquelas tardes nubladas,eu só gostaria que fosse a minha inocência.

sábado, 23 de agosto de 2008

De repente,é como se eu tivesse criado asas.
me desfeito dos papéis amassados,páginas viradas,colocado o passado no lugar que lhe pertence,guardado comigo as boas memórias.Com os mesmos medos bobos,a mesma mania feia de pegar nos cabelos e por os pés em cima da mesa.
Os sonhos mudam,a gente cresce e continua se descobrindo vezes e vezes sem conta.Conhecendo novas cidades,fazendo novos amigos,vivendo o que se tem de viver.Toda dor precisa ser sentida,me disseram uma vez.As pessoas,os desapontamentos e alegrias vem e vão,certas coisas continuam intactas.Outras você teima em acreditar que vão ficar aonde as deixou e quando menos espera elas vão embora...

Máquinas são mais fáceis de manusear que pessoas,porém você não se afeiçoa a elas,ou aprende a conviver com suas falhas e defeitos,mesmo que elas não tenham concerto.
A gente se acostuma com quase tudo,foi uma das lições que eu aprendi.Menos com a saudade.

"Felicidade só é completa quando compartilhada"